Recebi a mensagem da minha amiga Shirley e repasso para reflexão.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Felicidade

O escritor deste tempo, o preferido entre os preferidos, é o americano Philip Roth. Não gosto dele.
Escreve bem e tudo mais, mas há algo nele que me incomoda – os seus méritos. As qualidades de Roth como escritor tornam seus livros irritantes, para mim. Porque Roth consegue reproduzir com precisão os dramas desta época, os conflitos psicológicos, as angústias das pessoas. Seus personagens são como a gente real e respirante do século 21, gente psicanalisada, autocentrada, que superestima os próprios sentimentos.
É uma das marcas mais características do Ocidente pós-Freud, e não é culpa de Freud, Freud era um filósofo, não podia prever a livre adaptação ideológica que os homens fariam de seu sistema de pensamento. É como Cristo, que nada tem a ver com as derivações do Cristianismo.
Não exatamente a psicanálise, mas seu subproduto ideológico é muito adequado ao nosso mundo feminino, no qual as pessoas consomem boa parte do seu tempo pensando em como se sentem e em por que assim se sentem. Atravessam a existência “em busca da felicidade”. Dia desses ouvi de passagem uma frase dita por um personagem de novela. Foi de passagem mesmo, não assisto novela – tenho preconceito contra novela e comédia romântica, e sou muito cioso com alguns de meus preconceitos. Enfim, ouvi o personagem desabafar:
– Eu só quero é ser feliz.
E volta e meia ouço pais suspirando:
– O importante é que o meu filho seja feliz.
Perfeito. É isso mesmo que as pessoas querem. A tal da felicidade, como diz a balada de Natal. Não chega a ser um desejo tolo. É apenas um pouco egoísta e bastante fútil.
Já eu não me preocupo se meu filhinho será ou não feliz. Preocupo-me em fazer dele uma pessoa que mereça ser feliz. Prefiro que ele tenha uma dignidade sólida, antes de uma felicidade banal. Prefiro que ele não seja como um dos chatolas personagens de Philip Roth.
Um governo, como um pai, também deveria tentar fazer de seu povo não um povo feliz, mas merecedor da felicidade. Exemplo: no fim do século 16, a Inglaterra fundou seus primeiros colégios públicos, gratuitos. Eram tão bons, que logo os membros da nobreza passaram a pagar para matricular seus filhos neles. Já na Alemanha, que nem Alemanha era nesse período, era uma reunião de principados independentes, na Alemanha a Educação é OBRIGATÓRIA há 400 anos. Os governos britânico e alemão não distribuíram dinheiro aos seus povos. Deram-lhes Educação. Que lhes deu dignidade.
Na poeira dos séculos, alemães e ingleses muitas vezes foram infelizes. Passaram por guerras, revoluções e cataclismos, ao cabo dos quais restaram arruinados, aos pedaços. Não tinham dinheiro, não tinham nada. Tinham apenas o que lhes ia na alma. A dignidade. Com dignidade, se reergueram, foram em frente, são o que são. Merecem a felicidade. O que é muito melhor do que ser feliz.
Escreve bem e tudo mais, mas há algo nele que me incomoda – os seus méritos. As qualidades de Roth como escritor tornam seus livros irritantes, para mim. Porque Roth consegue reproduzir com precisão os dramas desta época, os conflitos psicológicos, as angústias das pessoas. Seus personagens são como a gente real e respirante do século 21, gente psicanalisada, autocentrada, que superestima os próprios sentimentos.
É uma das marcas mais características do Ocidente pós-Freud, e não é culpa de Freud, Freud era um filósofo, não podia prever a livre adaptação ideológica que os homens fariam de seu sistema de pensamento. É como Cristo, que nada tem a ver com as derivações do Cristianismo.
Não exatamente a psicanálise, mas seu subproduto ideológico é muito adequado ao nosso mundo feminino, no qual as pessoas consomem boa parte do seu tempo pensando em como se sentem e em por que assim se sentem. Atravessam a existência “em busca da felicidade”. Dia desses ouvi de passagem uma frase dita por um personagem de novela. Foi de passagem mesmo, não assisto novela – tenho preconceito contra novela e comédia romântica, e sou muito cioso com alguns de meus preconceitos. Enfim, ouvi o personagem desabafar:
– Eu só quero é ser feliz.
E volta e meia ouço pais suspirando:
– O importante é que o meu filho seja feliz.
Perfeito. É isso mesmo que as pessoas querem. A tal da felicidade, como diz a balada de Natal. Não chega a ser um desejo tolo. É apenas um pouco egoísta e bastante fútil.
Já eu não me preocupo se meu filhinho será ou não feliz. Preocupo-me em fazer dele uma pessoa que mereça ser feliz. Prefiro que ele tenha uma dignidade sólida, antes de uma felicidade banal. Prefiro que ele não seja como um dos chatolas personagens de Philip Roth.
Um governo, como um pai, também deveria tentar fazer de seu povo não um povo feliz, mas merecedor da felicidade. Exemplo: no fim do século 16, a Inglaterra fundou seus primeiros colégios públicos, gratuitos. Eram tão bons, que logo os membros da nobreza passaram a pagar para matricular seus filhos neles. Já na Alemanha, que nem Alemanha era nesse período, era uma reunião de principados independentes, na Alemanha a Educação é OBRIGATÓRIA há 400 anos. Os governos britânico e alemão não distribuíram dinheiro aos seus povos. Deram-lhes Educação. Que lhes deu dignidade.
Na poeira dos séculos, alemães e ingleses muitas vezes foram infelizes. Passaram por guerras, revoluções e cataclismos, ao cabo dos quais restaram arruinados, aos pedaços. Não tinham dinheiro, não tinham nada. Tinham apenas o que lhes ia na alma. A dignidade. Com dignidade, se reergueram, foram em frente, são o que são. Merecem a felicidade. O que é muito melhor do que ser feliz.
David Coimbra
Zero Hora 15/01/2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Boroletas
Imagem: www.mongabay.comBorboleta
Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?
Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?
Pois essa alma é tão sedenta
Que um só amor não contenta
E louca quer variar?
Se já tens amores belos,
P'ra que vais dar teus desvelos
Aos goivos da beira-mar?
Não sabes que a flor traída
Na débil haste pendida
Em breve murcha será?
Que de ciúmes fenece
E nunca mais estremece
Aos beijos que a brisa dá?...
Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?!
Tu vês a flor da campina,
E bela e terna e divina,
Tu dás-lhe o que essa alma tem;
Depois, passado o delírio,
Esqueces o pobre lírio
Em troca duma cecém!
Mas tu não sabes, louquinha,
Que a flor que pobre definha
Merece mais compaixão?
Que a desgraçada precisa,
Como do sopro da brisa,
Os ais do teu coração?
Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?
Se a borboleta dourada
Esquece a rosa encarnada
Em troca duma outra flor;
Ela - a triste, molemente
Pendida sobre a corrente,
Falece à míngua d'amor.
Tu também minha inconstante
Tens tido mais dum amante
E nunca amaste a um só!
Eles morrem de saudade,
Mas tu na variedade
Vais vivendo e não tens dó!
Ai! és muito caprichosa!
Sem pena deixas a rosa
E vais beijar outras flores;
Esqueces os que te amam...
Por isso todos te chamam:
- Borboleta dos amores!
Casimiro de Abreu
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Ponto Final

Questão de Pontuação
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
João Cabral de Melo Neto
Anel

O Anel de Vidro
Aquele pequenino anel que tu me deste,
- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.
Aquele pequenino anel que tu me deste,
- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.
Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, -
Aquele pequenino anel que tu me deste,
- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou .
Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste .
Manuel Bandeira
Reflexões

“Não tenho tempo de desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas.”
(Elis Regina, cantora)
Tem sempre presente que a pele se enruga, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda!
Tua força interior
(Madre Tereza de Cacultá)
Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
(Madre Tereza de Cacultá)
“Quando nada é certo, tudo é possível.”
(Margaret Drabble, escritora)
“Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar,
que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço.”
Tem sempre presente que a pele se enruga, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda!
Tua força interior
(Madre Tereza de Cacultá)
Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
(Madre Tereza de Cacultá)
“Quando nada é certo, tudo é possível.”
(Margaret Drabble, escritora)
“Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar,
que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço.”
(Gabriela Mistral, poetisa)
“Amor é como mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanecerá; agarre-o firme e ele escapará.”
“Amor é como mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanecerá; agarre-o firme e ele escapará.”
(Dorohty Parker, escritora)
“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para
poder voltar inteira.”
“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para
poder voltar inteira.”
(Cecília Meirelles, poetisa)
“Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas e as que ficam com os louros. Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição lá.”
“Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas e as que ficam com os louros. Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição lá.”
(Indira Gandhi, estadista)
Como plantar o guarda-sol
Como plantar o guarda-sol
Eu já sabia, quando me preparei para a viagem rumo às fímbrias do Atlântico proceloso, que em algum momento teria de proceder ao plantio do guarda-sol. Deu-se nesta manhã de sexta, a mais ensolarada da semana.
Plantar guarda-sol não é singelo como parece. Nem casual. Os praianos usam o plantio do guarda-sol para avaliar um homem. E rotulá-lo. Cuidado, pois.
Digamos que você tenha ido à Orla em alegre bando. Seus amigos estão lá e também algumas jovens mulheres. Tem tudo para dar certo, a temporada na Orla, principalmente porque, entre as fêmeas do grupo, está Ela.
Você sabe de quem estou falando.
Bem, depois de acomodados, vocês se dirigem à areia, onde Ela pretende bronzear-se. São horas neste processo, ao cabo do qual ela precisa homiziar-se à sombra. É aí que entra o guarda-sol. Que você já deveria ter acoplado no lugar apropriado – plantar guarda-sol é trabalho de homem.
Existe uma ciência para tal. Há que se considerar os ensinamentos do polonês Copérnico acerca do movimento rotatório da Terra para que a sombra seja posicionada a contento, há que se calcular a velocidade e a direção dos ventos e, sobretudo, há que se fincar a estaca do guarda-sol com consistência, apesar do inconsistente da areia. Um guarda-sol mal fincado pode acabar com suas possibilidades de romance. Se o seu guarda-sol sai a voar pelo céu azul, você corre o risco de ver a amada reivindicando a ajuda do paulista de sunga branca ali ao lado:
– Coloca o guarda-sol pra miiiim?
O próximo pedido é para que ele lhe besunte com protetor solar.
Portanto, um guarda-sol mal aparafusado é o pior que pode lhe ocorrer.
Ou talvez não. Talvez o pior tenha ocorrido comigo. Ontem, como já disse, tive de proceder ao plantio. Mas não era nenhuma semideusa com a sola dos pés 36 amaciada a creme Nívea que esperava de mim um guarda-sol instalado. Não.
Era o meu filhinho de dois anos.
Ora, mulheres você já teve tantas na vida, e outras tantas decerto terá. Mas o seu filho é parte de você. E o pai, para um filho, é um herói, é um gigante, é o seu modelo de vida.
Então, lá estava eu, sobraçando o guarda-sol, pronto para penetrá-lo na carne da areia. Meu filhinho me olhava, expectante. Percebi, e ele percebeu também, que à esquerda um sujeito retaco e careca cavava com o auxílio de uma máquina o buraco do guarda-sol que protegeria seus filhos. Sim, existe uma máquina escavadora de buracos de guarda-sol. Enviei um sorriso sardônico para o meu pocolino, um sorriso que dizia: “Tsc, tsc, ele precisa de máquinas, meu filho, mas o seu pai não. O seu pai planta um guarda-sol com as próprias mãos. Mãos nuas!”
Meu filhinho sorriu.
Estufei o peito. Ia começar a espetar o guarda-sol, mas vi que, à direita, um tipo de bigode oliviesco havia feito uma plantação de guarda-sóis. Tinha, o bigodudo, vários filhos, e vários amiguinhos de seus filhos, todos, filhos e amigos, acomodados em pares sob guarda-sóis frondosos. O homem fincava um e saltava feito um cabrito-montês para fincar outro, e logo adiante mais outro, e outro, e outro, tudo com uma destreza e uma rapidez que jamais vi igual. Notei que meu filhinho o olhava com um laivo de admiração. Deu-me um aperto no peito. Não podia falhar. Não com aqueles exibicionistas me ladeando.
Bem.
Fique claro que fiz o melhor que pude. Suei no afã da escavação, atarrachei a estaca do guarda-sol quase até a metade na areia, tentei providenciar uma sombra ampla e assídua, mas, mal aberto o dito-cujo, eis que um pé-de-vento assomou do Norte-Nordeste, chutou o guarda-sol de trivela, e senti que o desgranido ia levantar voo. Os demais, os do bigodudo e o do retaco, tremularam, mas permaneceram impávidos. O meu ia decolar. Não permiti. Dei um peixinho na areia e segurei-o firme com a mão esquerda. Fiquei numa posição incômoda, o cotovelo apoiado no chão, a mão apertando o pé da estaca, o corpo virado num cê-cedilha invertido. Não importava. O que importava era fazer com que o guarda-sol não saísse do lugar, pelo menos até que o vento cessasse. Consegui. O vento enfim parou, depois de torturantes minutos que pareceram horas. Então me ergui, limpando a areia da sunga, e anunciei alto:
– Acho melhor mudar um pouco a localização do guarda-sol, filhinho. Ele está realmente firme, muito firme, firme mesmo, mas podemos ter mais sombra logo ali. É importante ter mais sombra!
O bigodudo e o retaco ficaram observando, mudos, enquanto eu transferia meu guarda-sol e o plantava com mais solidez. Funcionou. Vi a aprovação luzir no olhar do meu filhinho, como se ele dissesse:
– O nosso guarda-sol é o melhor de todos, papai.
Ainda sinto o torcicolo daqueles minutos como cê-cedilha invertido, mas valeu a pena. O que importava era a minha imagem de pai, era dar ao meu filho uma demonstração de caráter em meio às agruras da vida praiana. Um homem tem de cometer sacrifícios em nome da dignidade.
David Coimbra
http://wp.clicrbs.com.br/davidcoimbra/2010/01/09/como-plantar-o-guarda-sol/
Eu já sabia, quando me preparei para a viagem rumo às fímbrias do Atlântico proceloso, que em algum momento teria de proceder ao plantio do guarda-sol. Deu-se nesta manhã de sexta, a mais ensolarada da semana.
Plantar guarda-sol não é singelo como parece. Nem casual. Os praianos usam o plantio do guarda-sol para avaliar um homem. E rotulá-lo. Cuidado, pois.
Digamos que você tenha ido à Orla em alegre bando. Seus amigos estão lá e também algumas jovens mulheres. Tem tudo para dar certo, a temporada na Orla, principalmente porque, entre as fêmeas do grupo, está Ela.
Você sabe de quem estou falando.
Bem, depois de acomodados, vocês se dirigem à areia, onde Ela pretende bronzear-se. São horas neste processo, ao cabo do qual ela precisa homiziar-se à sombra. É aí que entra o guarda-sol. Que você já deveria ter acoplado no lugar apropriado – plantar guarda-sol é trabalho de homem.
Existe uma ciência para tal. Há que se considerar os ensinamentos do polonês Copérnico acerca do movimento rotatório da Terra para que a sombra seja posicionada a contento, há que se calcular a velocidade e a direção dos ventos e, sobretudo, há que se fincar a estaca do guarda-sol com consistência, apesar do inconsistente da areia. Um guarda-sol mal fincado pode acabar com suas possibilidades de romance. Se o seu guarda-sol sai a voar pelo céu azul, você corre o risco de ver a amada reivindicando a ajuda do paulista de sunga branca ali ao lado:
– Coloca o guarda-sol pra miiiim?
O próximo pedido é para que ele lhe besunte com protetor solar.
Portanto, um guarda-sol mal aparafusado é o pior que pode lhe ocorrer.
Ou talvez não. Talvez o pior tenha ocorrido comigo. Ontem, como já disse, tive de proceder ao plantio. Mas não era nenhuma semideusa com a sola dos pés 36 amaciada a creme Nívea que esperava de mim um guarda-sol instalado. Não.
Era o meu filhinho de dois anos.
Ora, mulheres você já teve tantas na vida, e outras tantas decerto terá. Mas o seu filho é parte de você. E o pai, para um filho, é um herói, é um gigante, é o seu modelo de vida.
Então, lá estava eu, sobraçando o guarda-sol, pronto para penetrá-lo na carne da areia. Meu filhinho me olhava, expectante. Percebi, e ele percebeu também, que à esquerda um sujeito retaco e careca cavava com o auxílio de uma máquina o buraco do guarda-sol que protegeria seus filhos. Sim, existe uma máquina escavadora de buracos de guarda-sol. Enviei um sorriso sardônico para o meu pocolino, um sorriso que dizia: “Tsc, tsc, ele precisa de máquinas, meu filho, mas o seu pai não. O seu pai planta um guarda-sol com as próprias mãos. Mãos nuas!”
Meu filhinho sorriu.
Estufei o peito. Ia começar a espetar o guarda-sol, mas vi que, à direita, um tipo de bigode oliviesco havia feito uma plantação de guarda-sóis. Tinha, o bigodudo, vários filhos, e vários amiguinhos de seus filhos, todos, filhos e amigos, acomodados em pares sob guarda-sóis frondosos. O homem fincava um e saltava feito um cabrito-montês para fincar outro, e logo adiante mais outro, e outro, e outro, tudo com uma destreza e uma rapidez que jamais vi igual. Notei que meu filhinho o olhava com um laivo de admiração. Deu-me um aperto no peito. Não podia falhar. Não com aqueles exibicionistas me ladeando.
Bem.
Fique claro que fiz o melhor que pude. Suei no afã da escavação, atarrachei a estaca do guarda-sol quase até a metade na areia, tentei providenciar uma sombra ampla e assídua, mas, mal aberto o dito-cujo, eis que um pé-de-vento assomou do Norte-Nordeste, chutou o guarda-sol de trivela, e senti que o desgranido ia levantar voo. Os demais, os do bigodudo e o do retaco, tremularam, mas permaneceram impávidos. O meu ia decolar. Não permiti. Dei um peixinho na areia e segurei-o firme com a mão esquerda. Fiquei numa posição incômoda, o cotovelo apoiado no chão, a mão apertando o pé da estaca, o corpo virado num cê-cedilha invertido. Não importava. O que importava era fazer com que o guarda-sol não saísse do lugar, pelo menos até que o vento cessasse. Consegui. O vento enfim parou, depois de torturantes minutos que pareceram horas. Então me ergui, limpando a areia da sunga, e anunciei alto:
– Acho melhor mudar um pouco a localização do guarda-sol, filhinho. Ele está realmente firme, muito firme, firme mesmo, mas podemos ter mais sombra logo ali. É importante ter mais sombra!
O bigodudo e o retaco ficaram observando, mudos, enquanto eu transferia meu guarda-sol e o plantava com mais solidez. Funcionou. Vi a aprovação luzir no olhar do meu filhinho, como se ele dissesse:
– O nosso guarda-sol é o melhor de todos, papai.
Ainda sinto o torcicolo daqueles minutos como cê-cedilha invertido, mas valeu a pena. O que importava era a minha imagem de pai, era dar ao meu filho uma demonstração de caráter em meio às agruras da vida praiana. Um homem tem de cometer sacrifícios em nome da dignidade.
David Coimbra
http://wp.clicrbs.com.br/davidcoimbra/2010/01/09/como-plantar-o-guarda-sol/
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Natal
Natal

Três Presentes de fim de ano
Querida, mando-te
uma tartaruguinha de presente
e principalmente de futuro
pois viverá uma riqueza de anos
e quando eu haja tomado a estígia barca
rumo ao país obscuro
ela te me lembrará no chão do quarto
e te dirá em sua muda língua
que o tempo, o tempo é simples ruga
na carapaça, não no fundo amor.
II
Nem corbeilles nem
letras de câmbio
nem rondós nem
carrão 69
nem festivais
na ilha d’amores
não esperes de mim
terrestres primores.
Dou-te a senha para
o dom imperceptível
que não vem do próximo
não se guarda em cofre
não pesa, não passa
nem sequer tem nome.
Inventa-o se puderes
com fervor e graça.
III
Sempre foi difícil
ah como era difícil escolher
um par de sapatos, um perfume.
Agora então, amor, é impossível.
O mau gosto
e o bom se acasalaram, catrapuz!
Você acha mesmo bacana esse verniz abóbora
ou tem medo de dizer que é medonho?
E aquele quadro (objeto)? Aquela pantalona?
Aquela poesia? Hem? O quê? Não ouço
a sua voz entre alto-falantes, não distingo
nenhuma voz nos sons vociferantes...
Desculpe, amor, se meu presente
é meio louco e bobo
e superado:
uns lábios em silêncio
(a música mental)
e uns olhos em recesso
(a infinita paisagem).
Carlos Drummond de Andrade
Querida, mando-te
uma tartaruguinha de presente
e principalmente de futuro
pois viverá uma riqueza de anos
e quando eu haja tomado a estígia barca
rumo ao país obscuro
ela te me lembrará no chão do quarto
e te dirá em sua muda língua
que o tempo, o tempo é simples ruga
na carapaça, não no fundo amor.
II
Nem corbeilles nem
letras de câmbio
nem rondós nem
carrão 69
nem festivais
na ilha d’amores
não esperes de mim
terrestres primores.
Dou-te a senha para
o dom imperceptível
que não vem do próximo
não se guarda em cofre
não pesa, não passa
nem sequer tem nome.
Inventa-o se puderes
com fervor e graça.
III
Sempre foi difícil
ah como era difícil escolher
um par de sapatos, um perfume.
Agora então, amor, é impossível.
O mau gosto
e o bom se acasalaram, catrapuz!
Você acha mesmo bacana esse verniz abóbora
ou tem medo de dizer que é medonho?
E aquele quadro (objeto)? Aquela pantalona?
Aquela poesia? Hem? O quê? Não ouço
a sua voz entre alto-falantes, não distingo
nenhuma voz nos sons vociferantes...
Desculpe, amor, se meu presente
é meio louco e bobo
e superado:
uns lábios em silêncio
(a música mental)
e uns olhos em recesso
(a infinita paisagem).
Carlos Drummond de Andrade
Natal

Poema De Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
Natal

Monólogo do Natal
Eu não gosto de vancê, Papai Noé!
Tamém não gosto desse seu papé de vendê ilusão pra tar
da burguesia.
Se os meninu pobre da cidade soubessem o desprezo qui
o se tem, pelos humirde, pela humirdade eu acho que eles
jogava pedra em sua fantasia.
Você talvez vancê nem se alembra mais.
Eu cresci, me tornei rapaz, sem nunca me esquecê,
daquilo que passô.
Eu lhe escrevi um biete, pedindo um presente a noite
inteira eu esperei contente, chegou o sor, mais vancê
num chegou.
Dias depois, meu pobre pai, cansado, me trouxe um
trenzinho véio, enferrujado, e me ponhou ansim na
minha mão e me oiando baixinho me falou: toma, é pra
vancê, foi papai noé que mandou. E vi quandu ele
adisfarçou umas lágrima cum a mão.
Eu alegre e inocente nesse caso, pensei que o meu
biete embora cum atraso tinha chegadu em suas mão, no
fim do mês.
Limpei ele bem limpado, dei corda, o trem partiu, deu
muitas vorta, meu pai então se riu e me abraçô pela
urtima vez.
O resto, eu só pude cumpreender quando cresci e
comecei a ver as coisa com a realidade.
Um dia meu pai chegou ansim, cum quem tá cum medo e
falou pra mim: me dá aqui aquele seu brinquedo daqui
vou trocá por outro na cidade . Entônce eu entreguei
pra ele o meu trenzinho quase a soluçá.
e, como quem não quer abandoná um mimo, um mimo que
lhe deu, quem lhe qué bem, eu supriquei medroso: ?ô
pai eu só tenhu ele! Eu num quero outro brinquedo, eu
quero aquele. por favor pai, num vá levá meu trem?.
Meu pai calô e pelo seu rosto veio descendo uma
lágrima que, inté hoje creio, tão pura e santa ansim
só Deus chorou!
Ele saiu correnu bateu a porta, ansim como um doido
varido minha mãe gritou; pra ele: José! ele num deu
orvido. Foi embora e nunca mais vortô.
Vancê, Papai Noé, vancê me transformou num homem que
hoje a infância arruinô. Sem pai e sem brinquedo.
Afiná, dos seus presentes, num ai um que sobre da
riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com a
noite de natá.
Meu pobre pai coitado, mar vestido, pra num me vê
naquele dia desiludido, pagô bem caro a minha inlusão,
num gesto nobre, humano e dicisivo, ele foi longe
demais pra me trazer aquele lenitivo, tinha robado
aquele trem do filho do patrão.
Quando ele sumiu, pensei que tinha viajadu, no
entanto, minha mãe despois deu grande, me contou em
pranto que ele foi preso coitado e tranformadu em réu.
Ninguém pra absolvê meu pai se atrevia.
Ele foi definhando na cadeia, inté,qui um dia, Deus
entrou na sua cela e o libertô pro céu.
Aldemar Paiva
Música interpetada por Rolando Boldrin
Natal

Uma pequena crônica de natal....
Os embrulhos mal cabiam em seus braços...
A felicidade estampada em seu olhos...
Ao sair de casa um semblante caído, desanimado
Triste...
Na volta ao lar, aquele sentimento de vitória,
Do guerreiro que vence a última das guerras...
E então a pergunta:...afinal o que acontecera??
Naquele momento ele, que estava a olhar,
Disse, como se lesse pensamentos:
“não, eu não ganhei na loteria, consegui um emprego!!”
Não, não haviam bebidas, nem cerveja...apenas presentes...
Natal é isso, é quando Jesus se mostra através dos homens e a felicidade se multiplica, porque felicidade é assim,ela nunca É sozinha, só funciona em rede!
Jesus sabe disso, por isso esse pai de família voltou aquele dia,
Com presentes na mão e emprego no bolso...
Nós que estamos sempre a procurá-Lo, só podemos encontrá-Lo,
Dentro de nós e no máximo, ao nosso lado....sempre!!
Valéria Trindade
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Chegou o Verão !

VERANEIOS
Toda vestida de rendas
ela corre pelas praias
e as sereias invejosas
rogam pragas que ela caia.
---
A tua beleza é tanta
que a mais arrogante maré
humildemente se deita
para beijar os teus pés.
---
Quando te entregas ao mar
deixas no Sol certa mágoa.
Tua melhor intimidade
é um convívio só das águas.
---
Ah, se um dia ela se desse
pra mim com tanta alegria
com que entrega seu corpo moreno
às ondas do mar, tão frias.
---
Enxaguado de água doce
teu biquíni nos varais.
Parece que ali pousaram
andorinhas e pardais.
---
Quando chegas à praia
na manhã azul de janeiro
as ondas jogam carreira
pra ver quem te beija primeiro.
---
Tua inimizade com as nuvens
é ciúmes de passarela.
Hoje o Sol já não te envolve.
Ele é das nuvens. Só delas.
Luiz Coronel
Toda vestida de rendas
ela corre pelas praias
e as sereias invejosas
rogam pragas que ela caia.
---
A tua beleza é tanta
que a mais arrogante maré
humildemente se deita
para beijar os teus pés.
---
Quando te entregas ao mar
deixas no Sol certa mágoa.
Tua melhor intimidade
é um convívio só das águas.
---
Ah, se um dia ela se desse
pra mim com tanta alegria
com que entrega seu corpo moreno
às ondas do mar, tão frias.
---
Enxaguado de água doce
teu biquíni nos varais.
Parece que ali pousaram
andorinhas e pardais.
---
Quando chegas à praia
na manhã azul de janeiro
as ondas jogam carreira
pra ver quem te beija primeiro.
---
Tua inimizade com as nuvens
é ciúmes de passarela.
Hoje o Sol já não te envolve.
Ele é das nuvens. Só delas.
Luiz Coronel
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Epitáfio
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...
Sérgio Brito / Titãs
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...
Sérgio Brito / Titãs
sábado, 12 de dezembro de 2009
A Concha das Horas

Leva o teu sorriso, por favor leva pra longe.
Leva o que puderes, leva as minhas dores todas.
Leva o teu olhar e leva o que mais achares
e eu acolherei, desta vez, o teu silêncio.
Guarda o teu amor, num lugar que não existe.
Deixa, eu mesma lavo o que nos sobrou de triste.
Pelo nosso quarto, pela cama no deserto
eu vou sacudir o que dizem ser adeus.
Leva teu rancor, teu espelho mais antigo.
Leva o que couber no teu corpo tão vazio.
Deixa meus escudos. Deixa, eu fugirei do frio
mesmo que viaje à neve das cordilheiras.
Mas a noite é longa, nas malas e nas tristezas.
Leva tudo agora, que a manhã não se demora.
Deixa, eu mesma espanto o que tanto ainda me cala e o teu desamor me dói mais quando nem falas.
Mas quem sabe amigo...
um dia eu te lembre
no beijo esquecido
na palma do tempo
na concha das horas.
Jaime Vaz Brasil
Leva o que puderes, leva as minhas dores todas.
Leva o teu olhar e leva o que mais achares
e eu acolherei, desta vez, o teu silêncio.
Guarda o teu amor, num lugar que não existe.
Deixa, eu mesma lavo o que nos sobrou de triste.
Pelo nosso quarto, pela cama no deserto
eu vou sacudir o que dizem ser adeus.
Leva teu rancor, teu espelho mais antigo.
Leva o que couber no teu corpo tão vazio.
Deixa meus escudos. Deixa, eu fugirei do frio
mesmo que viaje à neve das cordilheiras.
Mas a noite é longa, nas malas e nas tristezas.
Leva tudo agora, que a manhã não se demora.
Deixa, eu mesma espanto o que tanto ainda me cala e o teu desamor me dói mais quando nem falas.
Mas quem sabe amigo...
um dia eu te lembre
no beijo esquecido
na palma do tempo
na concha das horas.
Jaime Vaz Brasil
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Você

O Que Eu Adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
Manuel Bandeira
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
Manuel Bandeira
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Reflexões
Quando eu me pergunto quem sou eu,
sou o que pergunta
ou o que não sabe a resposta?
Geraldo Eustáquio

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar.
Johann Goethe
Johann Goethe

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
Clarice Lispector
"a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
"a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."
Clarice Lispector
domingo, 6 de dezembro de 2009
Poesia
Reflexões

Língua Portuguesa
Considero a nossa língua portuguesa uma das línguas mais fascinantes do planeta. Bem, talvez tenha que se levar em conta que é uma das poucas que conheço. Mas, independente da minha limitada capacidade de avaliação, posso garantir que é uma língua bonita, cheia de palavras interessantes e com uma sonoridade especial. O que talvez explique porque tantas canções em português viraram clássicos da cultura mundial.
Tanta beleza, é claro, só pode ser apreciada se ela for usada corretamente. Você não deve dizer "seje", por exemplo. Nem que "seja" num bate-papo de botequim. Tampouco deve usar "esteje". Mesmo que você já "esteja" na quarta cerveja e todo mundo na mesa "esteje" falando assim.
Se você for do sexo feminino e trabalhou o dia inteiro, não pode falar pro namorado que não quer sair porque está "meia" cansada. Meia é aquilo que se usa no pé. Você provavelmente está "meio" cansada e, cá entre nós, deve estar cansada mesmo é do namorado. Porque quando a gente gosta de verdade, sempre encontra forças para um jantar a dois.
Nunca diga "de menor" ou "de maior". A pessoa é menor ou maior de idade. E se alguém falar "menas" laranjas, pode cair na risada à vontade. A não ser que você esteja numa solenidade e o equívoco tenha sido cometido por uma autoridade governamental. O que não é impossível de acontecer.
O R é uma letra traiçoeira, é preciso tomar cuidado. Anote aí: fustrado, cocrodilo, ededron, largartixa, estrupo, cardarço. Tá tudo errado. Confira no dicionário.
Se alguém chegou tarde à reunião, não reclame dizendo "fazem 2 horas que estamos te esperando". O correto é "faz 2 horas". É o mesmo caso de "haviam muitas pessoas no local". É sempre no singular: "havia muitas pessoas". Mesmo que fosse uma multidão.
"Para mim gostar" é coisa de índio. Quem conjuga o verbo é o pronome pessoal reto: "para eu gostar, para tu gostares, para ele gostar…".
Se você escutar alguma secretária falar "vou estar anotando o seu recado" não se irrite . Use o bom humor e diga que vai "estar perdendo a paciência" se ela continuar falando assim. O gerundismo virou uma praga. Vem de traduções mal feitas do inglês e contaminou algumas áreas, principalmente o telemarketing.
Nossa língua portuguesa é realmente fascinante. Produziu poemas e romances da melhor qualidade. Mas, como tudo na vida, também tem as suas estranhezas. Por exemplo: porque "embaixo" é uma palavra só e "em cima" são duas?
E a pergunta que não quer calar e me tira noites de sono: porque "tudo junto" é separado e "separado" é tudo junto?
Kledir Ramil
http://www.cantadoresdolitoral.com.br/k/kl21.htm#79
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Sumi
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar,
digo um absurdo atrás do outro
quando melhor seria silenciar,
faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes,
durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro
Sumi porque não há futuro
e isso não é o mais difícil de lidar,
pior é não ter presente e o passado
ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar,
Sumi porque não há o que se possa resgatar,
meu sumiço é covarde mas atento,
meio fajuto meio autêntico,
sumi porque sumir é um jogo de paciência,
ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado,
pareço desinteressado,
mas sumi para estar para sempre do seu lado,
a saudade fará mais por nós dois
que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida
permanência.”
MARTHA MEDEIROS
Quais suas manias?
Manias Tenho horror a chamados, principalmente da campainha da minha casa ou do meu telefone celular.
Quando um dos dois toca, estremeço: ali vem notícia ruim.
Nunca a campainha da minha casa tocou para surgir uma pessoa que vá me ajudar.
Quase sempre a campainha da minha casa toca para me pedirem ajuda.
E o meu telefone celular quase sempre toca para me trazer uma má notícia.
Já tentei jogar fora o celular e tentei desligar a campainha da minha casa. Mas não consegui.
Parece que estou viciado em más notícias, acostumado a complicações.
Assim é uma mania que tenho nas sinaleiras. Há dias em que estou para não dar esmolas. Saio de casa com a firme determinação de não dar óbolos para ninguém.
E, por mais que me peçam ou implorem nas sinaleiras os mendigos ou inconvenientes, não dou esmola para nenhum deles.
Mas há dias em que dou esmola em todas as sinaleiras. São 17 sinaleiras da minha casa até Zero Hora. Então, separo 17 moedas e as guardo para dar aos pedintes.
Há dias em que estou tão à flor da pele, que, quando o mendigo me ataca na sinaleira, sinto ímpetos de sair do carro e deixar o veículo para o mendigo dirigir e fazer dele o que bem quiser, até mesmo vendê-lo.
E há dias em que brutalmente fecho o vidro do meu carro quando me aproximo da sinaleira. Não quero saber de mendigos.
Definitivamente, eu sou um ciclotímico.
E há dias em que estou para conversas. Chego a atacar pessoas para conversar com elas. Deito e me reviro nos assuntos.
Mas há dias, em contrapartida, em que não quero falar com ninguém, só quero ir pra casa fumar e dormir.
E, estranhamente, há dias em que estou para pagar contas. Pago tudo que está para ser pago, pago até contas atrasadas, acrescidas dos malditos juros.
Mas há dias em que me recuso de tal maneira a pagar contas, que não pago nem as contas que vencem naquele dia e vão me causar problemas de quitação depois.
Não pago, não pago e... pronto: vão cobrar do diabo!
São manias que tenho e não sei por que as tenho.
São manias, são princípios, enlouquecidos princípios.
Por exemplo, outra mania que tenho: nunca janto fora aos domingos e às segundas-feiras. Não adianta, se os jantares são em festas que caem na segunda ou no domingo, deixo de ir à festa.
Nos outros cinco dias da semana, saio para jantar fora em todos eles, estou gordo acho que por essa mania.
Mania é conduta que não se explica. Esta que tenho de só pegar e acender o isqueiro, sempre, com os dedos da mão esquerda, eu que sou destro, não tem explicação.
E há dias em que brutalmente fecho o vidro do meu carro quando me aproximo da sinaleira. Não quero saber de mendigos.
Definitivamente, eu sou um ciclotímico.
E há dias em que estou para conversas. Chego a atacar pessoas para conversar com elas. Deito e me reviro nos assuntos.
Mas há dias, em contrapartida, em que não quero falar com ninguém, só quero ir pra casa fumar e dormir.
E, estranhamente, há dias em que estou para pagar contas. Pago tudo que está para ser pago, pago até contas atrasadas, acrescidas dos malditos juros.
Mas há dias em que me recuso de tal maneira a pagar contas, que não pago nem as contas que vencem naquele dia e vão me causar problemas de quitação depois.
Não pago, não pago e... pronto: vão cobrar do diabo!
São manias que tenho e não sei por que as tenho.
São manias, são princípios, enlouquecidos princípios.
Por exemplo, outra mania que tenho: nunca janto fora aos domingos e às segundas-feiras. Não adianta, se os jantares são em festas que caem na segunda ou no domingo, deixo de ir à festa.
Nos outros cinco dias da semana, saio para jantar fora em todos eles, estou gordo acho que por essa mania.
Mania é conduta que não se explica. Esta que tenho de só pegar e acender o isqueiro, sempre, com os dedos da mão esquerda, eu que sou destro, não tem explicação.
Outra mania que tenho, quando falando comigo uma pessoa joga perdigotos em meu rosto, delicadamente pergunto a ela se tem lenço. Ela pergunta por quê. E eu respondo que é para limpar os perdigotos que ela lançou no meu rosto.
Sei lá por que nós temos manias...
Paulo Santana
ZH 29/10/2009
Nomes

Sabrina - Feminino de Sabra (judeu nascido em Israel).
Safira - Grego: Pedra preciosa.
Salete - Francês: Referente à N. Sra de Salete.
Samanta - Aramaico: A ouvinte.
Samara - Hebraico: Protegida por Deus.
Sandra - Diminutivo de Alessandra.
Sara - Hebraico: Soberana.
Selena - Grego: A lua.
Selma - Árabe-celta: Pacífica, justa.
Serena - Latim: Calma, tranqüila.
Sueli - Germânico: Luz.
Susana - Hebraico: Lírio gracioso.
Sílvia - Latim: Da selva.
Simone - Hebraico: Ouvinte.
Sônia - Russo: Sabedoria.
Fonte:http://www.farmaciadepensamentos.com/
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Você

VOCÊ É...
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros
Sossega
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Reflexões
E se
E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-açucar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se à meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la pra dançar
E se ela ficar assim assim
E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim
Francis Hime/Chico Buarque
sábado, 28 de novembro de 2009
Tempo

O relógio e o espelho
Até o máximo possível e permitido, nunca se deve dar relógio de presente para crianças. O primeiro passo para a aflição do homem é o relógio. A criança é feliz porque não tem noção das horas, do compromisso, do dever com hora marcada.
Nunca vi em minha vida uma criança acordar-se e ver que horas são. Este é o reflexo imediato de qualquer adulto. Depois do sono reparador, do desligamento da vida, retornamos às nossas preocupações.
O sono é o céu do vazio, do nirvana, o relógio traz-nos de volta ao inferno das obrigações.
Consulte seu passado, o tempo mais feliz de sua vida foi aquele em que não usava relógio, indiscutivelmente.
O relógio é o instrumento que mede a vida e dá-nos a consciência da morte, a pior desgraça dos humanos. Os animais são felizes porque não sabem que terão de
pagar o preço da morte. O homem começa a ter noção de que sua vida terá um fim quando põe pela primeira vez um relógio no pulso, ignorando que aquela é a algema que o amarra ao tempo, portanto à finitude.
Eu nunca daria de presente um relógio a uma criança. Gostaria que ela permanecesse indiferente e imune aos prazos, solta, que não tivesse nem noção do dia e da noite, apenas fosse dormir e despertasse quando tivesse sono ou dele se saciasse.
Ter hora para dormir, para acordar-se, para trabalhar, para comparecer à audiência ou ao encontro, estas horas fatais todas é que vão destruindo as pessoas e aproximando-as da morte, senão pelo fato, mas pela perspectiva.
O paraíso de Adão e Eva dá-se exatamente porque não havia lá um relógio, nem o casal primevo conhecia quem o antecedera, o que significaria a morte.
Os tempos da infância e da juventude são os mais felizes pela inconsciência da morte. Até quando fiz 40 anos, eu pensava que era imortal. E essa é a sensação de todos os jovens.
O jovem sabe que vai morrer, mas está tão distante da morte, que consegue ignorá-la, ela não passa de uma utopia diante da vida estuante que se oferece à sua frente. Tem mais é que pensar na vida, o prazo da morte desaparece em meio à delícia existencial.
Não há instante mais crucial da vida que aquele em que o homem se olha no espelho e vê que não é mais aquele. O primeiro inimigo do homem é o relógio, o segundo é o espelho.
Reparem que as crianças nunca se olham no espelho, a não ser quando cobiçam idiotamente tornaremse adultas. Já o adulto olha-se no espelho sempre com um pé atrás, sabendo que seu aspecto só pode retroceder.
O homem que olha para o relógio ou para o espelho está sendo aos poucos aniquilado pela maior adversária do homem, que é a pressa.
Não conheço pessoa madura que não seja escrava prestativa do relógio ou do espelho, instrumentos da sua agonia.
Nunca dê um relógio ou um espelho para uma criança. Ela só é feliz porque estes dois objetos sãolhe absolutamente dispensáveis.
Crônica publicada em 5 de dezembro de 1999 ZH
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Plaravas ???

As plaravas
Rceebi uma megnseam cruisoa com a inrfoãmaço de que uma usinidavdere ienslga fez uma pqesusia e dreobiscu que, praa a letirua, não inrestesa a odrem em que as lrteas de uma plravaa etãso, "a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e a útmlia lrtea etejasm no lgaur crteo". Não me pentruge pouqre. Ahco mituo eqsuitsio, mas a vdaerde é que fciunona. E se fcionuna em iglêns e pugortêus, dvee fiouncnar até em hgarúno, "a úicna lgínua que o dabio reeispta".
Rceebi uma megnseam cruisoa com a inrfoãmaço de que uma usinidavdere ienslga fez uma pqesusia e dreobiscu que, praa a letirua, não inrestesa a odrem em que as lrteas de uma plravaa etãso, "a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e a útmlia lrtea etejasm no lgaur crteo". Não me pentruge pouqre. Ahco mituo eqsuitsio, mas a vdaerde é que fciunona. E se fcionuna em iglêns e pugortêus, dvee fiouncnar até em hgarúno, "a úicna lgínua que o dabio reeispta".
Gotsei da noíctia e rsloevi erevscer um ranomce iteinro com essa nvoa otorafgria. Psenei na iédia de um prseoagnem dsléixcio, dodato de uma ingêteclinia etraoxrdnáiira, ctanondo a hóistria na preiimra pssoea. A dsleiixa é uma dfunçisão metanl que faz com que o sueitjo, etnre otuars coaiss, eambrahle as ltreas de uma plavara. O que não o imedpe de dnveseovelr hilabdadies epesaciis. Tom Cuirse, por emxelpo, é dléixciso e tnooru-se um dos maoreis arosts de Hywoollod de tdoos os tpemos.
Meu raomnce treia uma luingaegm prórpia, com essa oratogrfia eastrhna, e nesitacesria um ctero esrfoço praa ser apacomhnado. As alçõteraes em cada sqüeiênca de lraets, segriauim uma liógca picartular ciarda pelo pronistotaga, com um cdigóo seetcro emdbutio no seu porsceso de elaçaborão. Um tpio de critopfigraa que, desdanveda, revilaera sreoegds de eastdo. Mias tdare, qanduo a hóriista fsose aptdaada praa o cemina, Tom Ciusre prodeia fzear o ppeal pciprinal. Ddese que acsitaese o cchaê.
As pvralaas são cmoo os fmiles. A gtene lebrma do cmeoço, do hpapy end e é caapz de ctaonr a htórisia tdoa, mmeso que não coignsa dcreveser exentatame a sqüncieêa de coters, o endeacamnteo em que faorm modantas as ceans.
A vdia de tdoo mduno tabémm é aissm. Qnduao a gtene nscae, aguélm dá um gitro de agleria. No fim, esvecrem uma fasre bionta nmua lidápe deizndo que fooms baancas e dxameios sdaaude. E rigeastrm as daats: nimasntceo e mrtoe. O que vieo no mieo dsiso foi um mtone de csaois muistdraas, baos e riuns, e nguéinm lebrma mias deitiro em que oderm eals faorm apacenredo. Ou sjea, não itmpora msmeo.
Pblao Nuerda dziia que "eevscrer é siplmes, coçmea com uma maúsciula, tinerma com um ptono e no mieo vcoê coocla as iéidas". É uma blea fsrae que coirmnfa essa tieora. O que iesntersa é cmoo a csoia ceçoma e cmoo trmiena.
Dsdee que, é calro, vcoê tnhea aumlga iédia intsanereste praa colaocr etrne a maslciúua e o potno fianl.
Kledir Ramil
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Jardim

A MENINA E O JARDIM
Angelina tinha um sonho
Ter um jardim pra brincar
Pois seu mundo era tristonho
Era sem cor o lugar.
Morava numa cidade
Onde ninguém conhecia
O sentimento bondade
A paz, lá não existia.
Um dia um missil caiu
Sobre sua feia casa
E em seu corpinho surgiu
Um par de bonitas asas.
Ela voou para o ceu
Com ela um querubim
De voz doce como mel
E a levou pra seu jardim.
Com a oração de Angelina
O bom Jesus diz amem!
Olhando a linda menina
Vinda de Jerusalem.
Hull de La Fuente
Angelina tinha um sonho
Ter um jardim pra brincar
Pois seu mundo era tristonho
Era sem cor o lugar.
Morava numa cidade
Onde ninguém conhecia
O sentimento bondade
A paz, lá não existia.
Um dia um missil caiu
Sobre sua feia casa
E em seu corpinho surgiu
Um par de bonitas asas.
Ela voou para o ceu
Com ela um querubim
De voz doce como mel
E a levou pra seu jardim.
Com a oração de Angelina
O bom Jesus diz amem!
Olhando a linda menina
Vinda de Jerusalem.
Hull de La Fuente
Pérolas

PÉROLAS DE SENTIMENTOS
Com tua flor predileta
Com a gentil palavra discreta
Reuni todos os elogios
Uni-os em vários fios
Fiz destas pérolas, um colar
Para melhor poder te falar
E em todo mar ressoa
A galhardia da tua pessoa
Assim como o oceâno infinito
Teu coração tão bonito
Atrai, encanta e prende
Peguei carona nos ventos
São portadores destes sentimentos
Que a toda alma se rende.
Versa Linden em 23/11/2009
Com tua flor predileta
Com a gentil palavra discreta
Reuni todos os elogios
Uni-os em vários fios
Fiz destas pérolas, um colar
Para melhor poder te falar
E em todo mar ressoa
A galhardia da tua pessoa
Assim como o oceâno infinito
Teu coração tão bonito
Atrai, encanta e prende
Peguei carona nos ventos
São portadores destes sentimentos
Que a toda alma se rende.
Versa Linden em 23/11/2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O culpado
Eu me declaro culpado de não ter
feito, com estas mãos que me deram,
uma vassoura.
feito, com estas mãos que me deram,
uma vassoura.
Por que não fiz uma vassoura?
Por que me deram mãos?
Para que me serviram
se só vi o rumor do cereal,
se só tive ouvidos para o vento
e não recolhi o fio
da vassoura,
verde ainda na terra
e não pus para secar os talos ternos
e não os pude unir
num feixe áureo
e não juntei um caniço de madeira
à saia amarela
até dar uma vassoura aos caminhos?
Por que me deram mãos?
Para que me serviram
se só vi o rumor do cereal,

se só tive ouvidos para o vento
e não recolhi o fio
da vassoura,
verde ainda na terra
e não pus para secar os talos ternos
e não os pude unir
num feixe áureo
e não juntei um caniço de madeira
à saia amarela
até dar uma vassoura aos caminhos?
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