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sábado, 13 de dezembro de 2014

O TEMPO NA LAPELA






Certa vez um pedaço de tempo
feito floco de neve
— fiapo de algodão doce
que se desfaz à lambida do toque —
caiu no meu casaco e não se dissolveu.
Permaneci com o tempo na lapela.
Me dei conta de que o pedaço de tempo
— corrosivo e nada friável —
que carregava na lapela
em vez de desaparecer
insistia em crescer
até me tomar o corpo todo
como o reconhecimento do erro
que é uma febre que não cede
ou a lembrança incômoda,
cão que nos segue
e ameaça nos morder a memória.



Ronaldo Costa Fernandes


domingo, 31 de agosto de 2014

Esconderijo






Esconde bem
tuas lágrimas.
Os homens desprezam
os fracos.
Esconde bem tua emoção.
Os homens
respeitam os fortes.
Esconde bem tua tristeza.
O mundo evita
os melancólicos.
Esconde bem a ti mesmo.
Os homens não gostam de se ver.


Ronaldo Costa Fernandes