Manias Tenho horror a chamados, principalmente da campainha da minha casa ou do meu telefone celular.
Quando um dos dois toca, estremeço: ali vem notícia ruim.
Nunca a campainha da minha casa tocou para surgir uma pessoa que vá me ajudar.
Quase sempre a campainha da minha casa toca para me pedirem ajuda.
E o meu telefone celular quase sempre toca para me trazer uma má notícia.
Já tentei jogar fora o celular e tentei desligar a campainha da minha casa. Mas não consegui.
Parece que estou viciado em más notícias, acostumado a complicações.
Assim é uma mania que tenho nas sinaleiras. Há dias em que estou para não dar esmolas. Saio de casa com a firme determinação de não dar óbolos para ninguém.
E, por mais que me peçam ou implorem nas sinaleiras os mendigos ou inconvenientes, não dou esmola para nenhum deles.
E há dias em que brutalmente fecho o vidro do meu carro quando me aproximo da sinaleira. Não quero saber de mendigos.
Definitivamente, eu sou um ciclotímico.
E há dias em que estou para conversas. Chego a atacar pessoas para conversar com elas. Deito e me reviro nos assuntos.
Mas há dias, em contrapartida, em que não quero falar com ninguém, só quero ir pra casa fumar e dormir.
E, estranhamente, há dias em que estou para pagar contas. Pago tudo que está para ser pago, pago até contas atrasadas, acrescidas dos malditos juros.
Mas há dias em que me recuso de tal maneira a pagar contas, que não pago nem as contas que vencem naquele dia e vão me causar problemas de quitação depois.
Não pago, não pago e... pronto: vão cobrar do diabo!
São manias que tenho e não sei por que as tenho.
São manias, são princípios, enlouquecidos princípios.
Por exemplo, outra mania que tenho: nunca janto fora aos domingos e às segundas-feiras. Não adianta, se os jantares são em festas que caem na segunda ou no domingo, deixo de ir à festa.
Nos outros cinco dias da semana, saio para jantar fora em todos eles, estou gordo acho que por essa mania.
Mania é conduta que não se explica. Esta que tenho de só pegar e acender o isqueiro, sempre, com os dedos da mão esquerda, eu que sou destro, não tem explicação.
Paulo Santana



























