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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Amantes


Os dois amantes sentados num banco
Já se cansaram, nem se olham mais,
Esgotando os beijos e os abraços.

Pensaram um dia que o carinho fosse eterno:
Estão ligados somente pela falta de assunto
E pelo murmúrio das ondas
A luz da tarde é febril.
E triste o final do amor.

Murilo Mendes

sábado, 27 de novembro de 2010

Metade pássaro


A mulher do fim do mundo

Dá de comer às roseiras,

Dá de beber às estátuas,

Dá de sonhar aos poetas.


A mulher do fim do mundo

Chama a luz com um assobio,

Faz a virgem virar pedra,

Cura a tempestade,

Desvia o curso dos sonhos,

Escreve cartas ao rio,

Me puxa do sono eterno

Para os seus braços que cantam.


Murilo Mendes

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pré-história


Mamãe vestida de rendas

Tocava piano no caos.


Uma noite abriu as asas

Cansada de tantos som,

Equilibrou-se no azul,

De tonta não mais olhou

Para mim, para ninguém:

Cai no álbum de retratos.

Murilo Mendes

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Eternidade


Imagem: internet


O homem, a luta e a eternidade



Adivinho nos planos da consciência


dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos


mundo de planetas em fogo


vertigem


desequilíbrio de forças,


matéria em convulsão ardendo pra se definir.




Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,


o mundo ainda é pequeno pra te encher.


Abala as colunas da realidade,


desperta os ritmos que estão dormindo.


À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!




Um dia a morte devolverá meu corpo,


minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins


meus olhos verão a luz da perfeição


e não haverá mais tempo.



Murilo Mendes