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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ano Novo







Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se 

   deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

 Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e 

   entregar os pontos.

 Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra 

  vez, com outro número e outra vontade de acreditar.  


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Tempo






 Não há tempo consumido nem tempo a economizar.


 O tempo é todo vestido de amor e tempo de amar.


 O meu tempo e o teu, amada, transcendem qualquer 

medida.


 Além do amor, não há nada, amar é o sumo da vida.



Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ausência






Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 8 de setembro de 2012

Desejos

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu".


Carlos Drummond de Andrade.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O constante diálogo





Há tantos diálogos

 

Diálogo com o ser amado

o semelhante

o diferente

o indiferente

o oposto

o adversário

o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio

Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.


Carlos Drummond de Andrade




sábado, 18 de agosto de 2012

Combate


Nem eu posso com Deus nem pode ele comigo.

Essa peleja é vã, essa luta no escuro

entre mim e seu nome.

Não me persegue Deus no dia claro.

Arma, à noite, emboscadas.

Enredo-me, debato-me, invectivo

e me liberto, escalavrado.

De manhã, à hora do café, sou eu quem desafia.

Volta-me as costas, sequer me escuta,

e o dia não é creditado a nenhum dos contendores.

Deus golpeia à traição.

Também uso para com ele táticas covardes.

E o vencedor (se vencedor houver) não sentirá prazer

pela vitória equívoca.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 29 de julho de 2012

Resíduo



De tudo ficou um pouco

Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.


Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).


Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.




Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.


Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.




Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.




Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?




Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.


De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...


De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.

Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.


De tudo ficou um pouco.


E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.




Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.


Às vezes um botão. Às vezes um rato.






Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Moinho




A mó da morte mói

o milho teu dourado

e deixa no farelo

um ai deteriorado.


Mói a mó, mói a morte

em seu moer parado

o que era trigo eterno

e nem sequer semeado.

 
Da morte a mó que mói

não mói todo o legado.

Fica, moendo a mó,

o vento do passado.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O seu santo nome

Não facilite com a palavra amor.

Não a jogue no espaço, bolha de sabão.

Não se inebrie com o seu engalanado som.

Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).

Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão

de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra

que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.

Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade





sábado, 19 de maio de 2012

Negra

A negra para tudo


a negra para todos


a negra para capinar plantar


regar


colher carregar empilhar no paiol


ensacar

lavar passar remendar costurar cozinhar

rachar lenha

limpar a bunda dos nhozinhos

trepar.






A negra para tudo

nada que não seja tudo tudo tudo

até o minuto de

(único trabalho para seu proveito exclusivo)

morrer.



Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Deus triste

Deus é triste.

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.

Deus não está diante de Deus.

Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.


Deus criou triste.

Outra fonte não tem a tristeza do homem.


Carlos Drummond Andrade

















domingo, 29 de abril de 2012

Antepassado




Só te conheço de retrato,

não te conheço de verdade,

mas teu sangue bole em meu sangue

e sem saber te vivo em mim

e sem saber vou copiando

tuas imprevistas maneiras,

mais do que isso: teu fremente

modo de ser, enclausurado

entre ferros de conveniência

ou aranhóis de burguesia,

vou descobrindo o que me deste

sem saber que o davas, na líquida

transmissão de taras e dons,

vou te compreendendo, somente

de esmerilar em teu retrato

o que a pacatez de um retrato

ou o seu vago negativo,

nele implícito e reticente,

filtra de um homem; sua face

oculta de si mesmo; impulso

primitivo; paixão insone

e mais trevosas intenções

que jamais assumiram ato

nem mesmo sombra de palavra,

mas ficaram dentro de ti

cozinhadas em lenha surda.

Acabei descobrindo tudo

que teus papéis não confessaram

nem a memória de família

transmitiu como fato histórico

e agora te conheço mais

do que a mim próprio me conheço,

pois sou teu vaso e transcendência,

teu duende mal encarnado.

Refaço os gestos que o retrato

não pode ter, aqueles gestos

que ficaram em ti à espera

de tardia repetição,

e tão meus eles se tornaram,

tão aderentes ao meu ser

que suponho tu os copiaste

de mim antes que eu os fizesse,

e furtando-me a iniciativa,

meu ladrão, roubaste-me o espírito.

Carlos Drummond de Andrade



domingo, 15 de abril de 2012

Aula de Português

A linguagem

na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.


Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.


Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.


O português são dois; o outro, mistério.




Carlos Drummond Andrade




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lagoa



Eu não vi o mar
Não sei se o mar é bonito,
Não sei se lê é bravo.
O mar não me importa

Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
E calma também.



Na chuva de cores
Da tarde que explode
A lagoa brilha
A lagoa se pinta
De todas as cores.
Eu não vi o mar.


Eu vi a lagoa

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de dezembro de 2011

Organiza o Natal



Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso.
A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.




Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A folha




A natureza são duas.
Uma,
tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?

Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?

A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente à folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Casa arrumada

Imagem:bhg.com


Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação
e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico,



um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…




Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso,
pelo abuso das refeições fartas,
que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.




Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.



Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…




Casa com vida é aquela em que a gente entra
e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma
pra ficar com a cara da gente.




Arrume a sua casa todos os dias…

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…




E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 5 de abril de 2011

As sem razões do amor


Eu te amo porque te amo.

Não, precisa ser amante

e nem sempre sabes sê-lo.


Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.


Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo

porque não amo bastante

ou demais a mim.


Porque amor não se troca,

não se conjuga

nem se ama.


Porque amor

é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 29 de março de 2011

Precisa-se de um amigo


Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.

Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar. Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer. Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.

Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos. E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.

Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.

Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Aquele clube


O Clube dos Desconfiados teve existência breve. Sua utilidade era indiscutível.Por isso congregou inúmeros desconfiados, que em sociedade se sentiram mais garantidos sobre possíveis más intenções e surpresas desagradáveis. Uma vez reunidos e organizados, com estatutos e diretoria, passaram a desconfiar dos outros e de si mesmos. Marcada assembeia-geral extraordinária para exame da situação, ninguém compareceu.
Ficaram todos na esquina próxima, espiando quem entrava na sede. O porteiro, desconfiadíssimo, sumiu.


Carlos Drummond de Andrade